quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Reação ao texto de Michel Serres. “Variações sobre o corpo”.

Oi queridos leitores!


Já fazia algum tempinho que não tinha postado mais minhas reações de texto do curso de Ciências Sociais!Hoje trago uma bem interessante que aborda o aprendizado através do corpo e suas alterações durante nossa vida.


Acredito que para quem admira o corpo humano e se permite conhecê-lo (por exemplo, através da dança), vai gostar do que escrevi.


E deixo mais uma frase minha: Quando dançamos liberamos energia e emoções advindas da alma! (Luênia, 2011).






Quando SERRES aborda “Dos cinco sentidos à cultura” ele utiliza a frase dos Iluministas, que diz: “nada existe no intelecto que primeiramente não estivesse nos sentidos”. Nisso compreende-se que o caminho dos sentidos em busca do entendimento provoca o desaparecimento do corpo, ele seria apenas um condutor desses sentidos. Subentende-se que para conhecer não é necessário “corpo”. Acredito que os sentidos necessitem do corpo e vice-versa, pois sem meu corpo, não sentiria e sem meus sentidos não teria um corpo vivo.
Como bem coloca o autor, “a origem do conhecimento, e não somente a do conhecimento intersubjetivo, mas também do objetivo, reside no corpo”. É como se o “saber” fosse herança de outros “saberes”, quando ensinamos, relembramos e expomos esse saber, o fazemos crescer, ou seja, ensinando aprendemos mais. O corpo possui uma presença cognitiva própria e a imitação é uma atividade sensorial, que tem seu resultado nos gestos.
No início de nossas vidas e posteriormente, sempre estamos aprendendo e sentido emoções, através dos outros. Experimentamos, imitamos e aprendemos e assim crescemos. É interessante quando SERRES coloca que a “oposição é a melhor forma de imitar e que a imitação, ao contrário, transforma-se rapidamente em conflito: se você se opõe, você copia”. O conhecimento fiel a imitação terá o conflito como acompanhante.
Concordo com o autor sobre a aprendizagem. É verdade que o número de coisas que aprendemos é muito maior do que podemos dominar; também compreendemos mal aquilo que nos é mal explicado. Primeiro nós aprendemos sem compreender para só depois compreender. A inteligência é muito mais complexa; realmente sabemos mais daquilo que não sabemos e sabemos mal o que realmente sabemos. A compreensão depende mais da capacidade de evoluir do que da explicação e conseqüentemente o saber mergulha no corpo e dele aparece novamente já compreendido.
O corpo possui memória própria, a ponto de reproduzir mais rapidamente do que assimila; como bem coloca o SERRES, “o corpo imita, armazena e lembra”. O corpo adquire o saber e faz, porque imita as coisas diretamente.  Na perspectiva de SERRES, perdemos o corpo que nos servia de suporte, ou seja, com a escrita, nos tornamos insensíveis a qualquer outro tipo de suporte.
O corpo corre perigo ao ensinar para conseguir atenção. Durante seu mergulho no saber, que o ultrapassa, ele corre o risco de perde-se. Para SERRES, o conhecimento deve servir para cuidarmos das coisas e do mundo e para acabar com o conflito que nos opõe a ele. Seria uma ética natural, nos aceitarmos como algo natural que necessita deste mundo para conhecê-lo e viver.
A imitação é o que torna o corpo adaptável e indefinidamente flexível às mudanças. Ela inicia o conhecimento, que entra no corpo, tornando-o flexível e ativo. Enfim, o pensamento propicia a saúde e quando os dois conversam com sua irmã, a imortalidade, está buscando formas de aprendizado que possam fazer da vida algo mais feliz e admirável.

By Luênia 2008.

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